Kiss Kiss Bang Bang

This isn’t good cop, bad cop. This is fag and New Yorker.

 

Estava eu sentado no sofá à espera de ver o filme sem saber de que raio se tratava (com o Simão a passar-se porque o dvd não dava e outro amigo nosso a chatear porque queria ver as novelas – e fica aqui destruída a reputação do rapaz que não irei citar porque, pa, ainda assim, é o Roger, e uma pessoa gosta muito dele), quando me chamaram a atenção para a presença do Robert Downey Jr. Não, não foi a sua interpretação em Gothika que me tornou aspirante ao cargo de tesoureiro do seu clube de fã, mas sim por ter interpretado Larry, “o” namorado da Ally McBeal, aquele que merecia que desse certo. Infelizmente Larry tinha um passado, e acessoriamente um filho pelo que pronto… não deu. Deu, isso sim, para deliciar-me com este filme!

Kiss Kiss Bang Bang

Realização de estreia de Shane Black, argumentista de filmes como Arma Mortífera ou O último grande herói e novo protégé de Joel Silver, produtor de Matrix, V for Vendetta, ou alguns episódios de Veronica Mars (Recomendo com “r” grande), este Kiss Kiss Bang Bang apresenta-se como um dos filmes marcantes de 2006… ou 2007 (para mim, marcou 2007).

Servido com situações genialmente inesperadas que se regem por um argumento rico em peripécias, o filme narra a história de Harry Lockhart (Robert Downey Jr.), um ladrão em fuga que se vê envolvido, sem querer, na produção de um policial hollywoodiano. Com o objectivo de o preparar para o papel, terá que fazer equipa com o detective Gay Perry (Val Kilmer) e posteriormente uma aspirante a actriz, Harmony Faith Lane (Michelle Monaghan) que rapidamente se juntará a eles ao serem envolvidos num verdadeiro e misterioso crime.

Apresentado no festival de Cannes de 2005, o primeiro filme de Shane Black demonstra ser uma obra perfeitamente controlada, aliando vários estilos e homenagens ao próprio cinema (sim, porque se muito se fala na cinefilia de Tarantino, Shane não lhe fica muito atrás). A acção, o sentido de humor bem negro, o genérico inicial num estilo retro, o toque de romance, o aspecto de sátira que o filme toma com a sua crítica a Hollywood, a banda sonora jazzy, as personagens, a própria realização trabalhada minuciosamente com, por exemplo, recurso a voz off ou à pausa no meio de uma cena afim de recuar alguns momentos atrás e dar um pouco mais de informação ao espectador, dão origem a um dos melhores e mais refrescantes filmes dos últimos anos.

Se a narrativa está bem construída, o estado de êxtase em que actualmente me encontro não poderia ter sido possível sem a magistral interpretação dos actores. Digo “actores” mas, se Val Kilmer e Michelle Monaghan (de Boston Legal) brilham neste filme pelo excelente desempenho que tiveram, Robert é, sem qualquer dúvida, a estrela do filme. Passando instantaneamente de um momento dramático para um momento mais leve onde nos brinda com as suas mímicas (como por exemplo a cena da audição inicial), Robert é definitavamente o rosto do filme. Carregando basicamente com o filme às costas, aproveita mais uma ocasião para demostrar o excelente actor que é. Mas enfim, como Robert é um jovem (jovem, sim, tem “jr” no nome) que muito gosta de ver se as paredes das clínicas de desintoxicação e prisões se mantêm no mesmo estado ano após ano, torna-se difícil ter o nome associado a mais filmes.

O filme é excelente. Uma mistura de filme noir, buddy-movie, acção, humor e sátira, dotado de um bom argumento, divinamente aproveitado pelos actores e extremamente bem elaborado em termos da realização… a não perder.

Nota:

4 thoughts on “Kiss Kiss Bang Bang

  1. Um filme de culto instantaneo! Um dos melhores de 2006 (só saiu em Portugal em 2006) sem dúvida!! Entre para um TOP que virá brevemente, com todo o mérito!

    E parabéns pela Critica!

  2. Ainda não vi o filme mas a música é no minimo peculiar (para o bom sentido) :p

  3. Knoxville diz:

    É muito, muito bom. No meu Top 5 de 2006.

    Cumprimentos.

  4. Júnia diz:

    Uma das melhores comédia que já vi. Humor inteligente e que foge do tédio que o cinema tem produzido.
    Robert Downey Jr está perfeito como um ladrão incompetente, mas honesto e Val Kilmer como um detetive escrúpulos e absolutamente gay.
    Vale destacar que Val Kilmer durante as gravações absteve-se de bebidas alcoólicas para evitar que Robert Downey Jr tivesse suas “recaídas”.
    Adoro esse filme!!!!

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