Lions for Lambs

Simples mas eficaz e objectivo. Seriam apenas estes três adjectivos que escolheria se tivesse de descrever Lions for Lambs em poucas palavras. Fui vê-lo não só por recomendação mas principalmente pelo lado político do filme; embora não seja tendencioso por defeito, é-o pelos discursos e caracterização de cada personagem.

É simples porque é feito “apenas” com conversas entre as várias personagens; não há acção, não há efeitos especiais malucos nem teorias da conspiração muito elaboradas; é apenas conversa… diálogos muito bem escritos e elaborados, criando assim discussões muito produtivas sobre a guerra, a política e o próprio pensamento norte-americano. É eficaz porque nos “converte” em qualquer uma das personagens, consoante a nossa orientação, prevendo cada movimento e sentindo cada argumento. É objectivo porque nos apresenta cada situação de forma muito bem delineada e sem termos a sensação de estarmos presente cenas “para encher chouriços“.

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Peões em Jogo é, acima de tudo, um filme de opostos. O pró ou anti guerra, a razão e a emoção, a posição política ou a posição cívica. Não só o é mas também o transmite e quase que nos obriga a escolher um lado, mesmo sem estarmos dentro do assunto. É um filme de argumentos e com um excelente argumento.

É agradável vermos a evolução das conversas e a convergência das discussões. No filme temos três situações distintas, embora conexas, de personagens genéricas, que nos vão levando ao encontro dos argumentos e pensamentos de cada uma das outras situações. Essas “situações” são lutas de ideias entre o Professor Stephen Malley (Robert Redford, que quanto mais velho melhor) e o jovem (mas prometedor) Todd Hayes (Andrew Garfield), o senador Jasper Irving (Tom Cruise) e a jornalista Janine Roth (Meryl Streep) e ainda entre os soldados Ernest Rodriguez (Michael Peña) e Arian Finch (Derek Luke). O elenco é muito competente e transmite muito bem cada ideal próprio de cada personagem.

Conheci Robert Redford quando tinha os meus 10 anitos com o seu Horse Whisperer e desde então, sem saber porque ou porque não, sempre o vi como um dos pioneiros responsáveis por gostar de cinema. Embora desde então outros filmes dele (leia-se: com ele) me tenham influenciado e agradado mais, ficou sempre aquela lembrança. Aqui, como realizador, não impressiona mas consegue liderar liderar bem um elenco já de si excelente num argumento que, embora sem muitas “esquesitices”, não deve ter sido fácil de interpretar.

Fiquei muito contente com Lions for Lambs. Talvez pelo seu lado mais didáctico, talvez pelo seu lado intervencionista ou até mesmo pela sua coragem. O argumento seduziu-me imenso e é com algum espanto que leio críticas tão negativas ao filme. Eu cá gostei e bastante. Que saudável surpresa!

Nota:

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