Burn After Reading

Se em 2007 os irmãos Coen nos brindaram com um dos melhores filmes do ano, No Country for Old Men, um registo negro e menos contido, desta vez trouxeram-nos um filme mais intimista, menos preocupado e sobretudo mais divertido, onde pegam nos seus actores amigos e fazem aquilo que já se esperava: um bom filme.

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Burn After Reading é daqueles filmes que, quando o estamos a ver, a única coisa que nos vem à cabeça é “Mas quem é se lembrou de uma coisa destas?“. Não é que não tenha sentido, porque tem, mas há momentos ali dos quais nos rimos e depois perguntamos-nos o porquê. Não gostaria de simplesmente apelidar este filme como uma comédia, porque não é só isso. Talvez uma comédia trágica, porque os Coen sabem sempre dar a volta à ideia que vamos criando ao longo do filme e deixar-nos a pensar em alguma coisa (qualquer coisa…) no final do filme.

Acima de tudo, Burn After Reading é um filme inteligente. Apesar de por vezes ser ridículo, nunca deixa de ter uma orientação, um propósito. É, provavelmente, a obra menos politicamente correcta da dupla de realizadores, que já nos ofereceram maravilhas como The Big Lebowski. Quem já viu vários filmes dos Coen consegue instantaneamente perceber quem está por detrás de tal argumento, de tal câmara. O humor negro, o disparate inocente, a sátira, o “bom que se lixa sempre”… Mesmo não sendo uma obra prima, é um filme muito divertido. Se divertido parece ser diminuidor, basta dar uma olhadela ao filme para perceber que é um termo que acarreta em si mais do que apenas risos e sorrisos.

Se os realizadores são talentosos, as senhoras e senhores que nos transmitem as ideias não lhes ficam nada atrás. Se George Clooney falasse de Nespresso, pensava que estava a ver um daqueles anúncios fantásticos que andam pela televisão nestes dias. É sem dúvida uma dos actores mais divertidos do cinema (quando é preciso!), e acho que seria uma óptima aposta numa série televisiva num papel como o de Steve Carell. Brad Pitt é fantástico. Já provou várias vezes que é multifacetado e dotado de enormes qualidades em qualquer tipo de papel. Aqui diverte-se enquanto nos brinda com qualquer dos seus movimentos aeróbicos. John Malkovich é… John Malkovich… sempre no seu melhor. Tilda SwintonFrances McDormand são as duas senhoras que só podem ter uma palavra ao lado do seu nome: divinais!

Não posso dizer que fiquei apaixonado por Burn After Reading. Mas posso afirmar com grande grau de certeza que cumpriu as expectativas. Já esperava um filme menos sério, menos preocupado, menos enigmático. Mas tem doses bem servidas de profissionalismo e interpretações. E um argumento que, apesar de ser menos filosófico, nunca deixa de ser dos Coen.

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