O (quase) Bom pastor

thegoodsheperd.jpgHá algum tempo que ansiava por ver o primeiro trabalho de Robert De Niro na realização depois de A Bronx Tale. Por isso não esperei mais e fui, na sua estreia, ver The Good Shepherd, O Bom Pastor.

O filme poderia ter sido muito mais e muito melhor. Quer dizer… não é um mau filme mas esperava muito mais. Passo a explicar…

De Niro tinha este projecto como o seu “projecto de estimação” e tentou torná-lo num grande filme. Um grande elenco, liderado por Matt Damon e do qual também De Niro faz parte, que tem em mãos um argumento bastante complexo, com algumas excelentes ideias e assuntos menos declarativos, do qual conseguem expremer o máximo e dar real entuação. O problema é mesmo a falta de um climax ou de um ponto mais significativo no filme para nos agarrar. E, sem estes, ao fim de quase 3 horas, ficamos algo desiludidos, ou por outras palavras, ficamos literalmente a “esperar sentados” por algo mais.

Passemos a relatar a história…
Edward Wilson (Matt Damon) é um agente da recém criada OSS (precursora da CIA) com um passado algo atribulado: assistiu ao suicídio do pai, pertenceu à sociedade Skull & Bones (uma sociedade secreta com rituais e ideias um pouco obscuros)… Quando surge o convite por parte do General Bill Sulivan (Robert De Niro) para se tornar membro da OSS , Edward adopta os ideais e principios de seu pai e torna-se num agente discreto e patriota que tudo faz para proteger os interesses do seu país. Pelo meio, conhece Clover (Angelina Jolie), irmã de um dos membros da Skull & Bones, pela qual se apaixona e deixa só por causa do seu trabalho. Depois o jogo de espiões começa e dá algumas voltas inesperadas, fazendo com que Edward se torne num espião máquina e a perder parte do seu lado emocional e humano.

Esta história sobre o inicio dos serviços secretos dos Estados Unidos é algo rectilinea e muito objectiva, forçando o espectador a procurar desenfreadamente significado nas acções das personagens nas busca de algo propósito ou simbolo subentendidos. Embora se possa tirar conclusões sobre o que o trabalho de espião faz a uma pessoa, a vida dulpa de mentiras e falsidades ou simplesmente sobre as relações humanas entre conhecidos ou desconhecidos ou até sobre patriotismo não chegam para que o filme tenha realmente interesse pois todos estes componentes estão demasiado “escondidos” e dispersos por entre muita acção que não nos prende o suficiente. Ou seja… quando realmente chega a ter interesse, já estamos demasiado fartos e esperar por ele.

good-shepherd1.jpg

O filme tem alguns pontos de interesse, obviamente, como a relação familiar deficiente entre a familia de Edward e a aprendizagem do mesmo para se tornar espião e até se criam algumas situações mais emotivas às quais Angelina Jolie corresponde muito bem. A realização de De Niro parece-me muito boa. Corresponde às expectativas, não deixando que o espectador se desligue ainda mais da narrativa, criando um filme negro e obscuro com algumas situações realmente assustadoras (no sentido da frieza com que as situações nos são apresentadas, tendo nesta parte Matt Damon grandes “culpas” por a sua prestação é realmente muito boa).

Resumindo e não tirando o mérito que o filme talvez possa merecer, esperava mais de The Good Shepherd. Não fiquei decepsionado mas fiquei algo triste com a falta de um ponto fulcral no filme que o poderia tornar num dos grandes deste ano… assim dilui-se por entre os demais. Eric Roth poderia e deveria ter feito feito algo mais dentro deste mesmo argumento. Ou seja, a simples adição de um climax (estou-me a repetir mas insisto neste ponto) teria resultado numa opinião muito, mas mesmo muito, diferente. Ainda não vi o seu Munich mas Forrest Gump fez-me esperar mais dele. Mas pronto…

Ahhh e antes que pensei que o filme é mau… não! Poderia era ter sido bem, bem melhor! Leva esta pontuação porque valorizo o trabalho de De Niro e dos actores e até mesmo algumas das ideias de Roth no argumento… mas, mais uma vez, falta-lhe qualquer coisita…
Nota:

2 thoughts on “O (quase) Bom pastor

  1. ...tudo menos simão! diz:

    Mas um bom filme tem de ter bombas? O problema do cinema, da arte, é uma de deficiência cultural que existe cada vez mais naqueles que se intitulam intelecto críticos e só dizem asneirada. …falta qualquer coisita? …oh Simão Sabichão se calhar a coisita que te faltava eram as pipocas e a coca-cola… Esta geração made in tarantino dá-me cada vez mais vómitos, anseia-se por vampiros e mais vampiros e tiros… putos! ..uns anos atrás até os críticos da treta percebiam mais daquilo que falavam.

  2. Pois mas eu não sou crítico. Sou apenas uma pessoa que gosta de ir ao cinema e de ver filmes. Bons filmes. Não disse que era um mau filme. Apenas que lhe faltava um climax. E não precisava de ter bombas para ser um bom filme, para mim. O Little Miss Sunshine foi dos meus preferidos em 2006 por causas das bombas e dos tiroteios tipo western, mas esse é um caso à parte…

    E os gostos dividem-se… não sou obrigado a gostar das mesmas coisas que tu. Putos? wow… realmente é um bom argumento. Dedica-te a ler as outras criticas aos filmes non-rambo-style e pode ser que encontres alguma coisa interessante…

    Já agora gostava de saber quais são os teus filmes favoritos e um sitio onde pudesse ver a tua opinião. Sim, porque se reparaste bem, a categoria é cinema e OPINIÃO, não crítica!

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